Thursday, September 29, 2011

SAUDADE

 Saudade é um sentimento que quando não cabe no coração, escorre pelos olhos.

E hoje meu coração se encheu de saudade , de tanta coisa, de tantos momentos e é impossível definir saudade né?
Pode ser triste e alegre? Pode apertar e acalmar o coração? Pode fazer rir e chorar?

Acredito na mistura disso tudo porque é só tentar classificá-la que caímos sempre em contradição.

Sinto saudade do meu pai, dos churrascos aos domingos, do sabor do  seu tempero, do arroz com batatas, do brinde com o caneco de chopp, da melancia repartida ntre os 13 filhos após o almoço e ainda guardávamos as sementes para replantar e ter sempre mais melancias, grandes e suculentas.
Saudade de vê-lo na ponta da imensa mesa repartindo o frango e cada qual tinha sua parte.
Saudade de vê-lo lendo ( devorando)  O Estado de São Paulo, sentado na sua cadeira cativa na sala de televisão.
Imensa saudade da sua voz e do seu jeito e da maneira como pronunciava seus "ditados".
Saudade de andar de Kombi com todo mundo dentro, de viajar para o interior e visitar parentes, ir a casamentos, acampar...
Saudade de andar no Jipe da Polícia, sentindo-se o máximo.
Saudade de ajudar a fabricar vinho, amassar a uva.... de ajudar a fazer os pepinos em conserva... malhar o feijão e debulhar milho.
Saudade de (tentar) ajudar  aproveitar TUDO do porco ou carneiro que era abatido para alimentar a enorme prole.
Saudade de tê-lo ao meu lado quando eu e meus amigos promovíamos festas beneficentes e lá estava ele para ajudar a cozinhar, organizar.
Saudade até de ouvir as batidas na parede da cozinha quando nós conversávamos alto e ele não conseguia ouvir a televisão.
Saudade de não falar alto porque a sesta era sagrada até às 14h, todos os dias.
Saudade de admirá-lo com os netos no colo, brincando igual criança.
Saudade da sua brabeza, da sua vaidade do seu jeito exigente de educar.
Saudade de assistir futebol com ele ( nossa como ele xingava todo mundo!).
Saudade de sentar na varanda da frente e tomar chimarrão vendo os vizinhos e conhecidos passando...
Saudade de vê-lo assando churrasco em inúmeras festas de igreja.
Saudade da presença dele no "michuim" quando eu fiz a loucura ( mais bem feita da minha vida) de sediar uma Conferência do Rotaract em Canoinhas.
Saudade do "pato com laranja", ah esse todo mundo pode tentar mas ninguém vai conseguir fazer igual.

Ninguém fritava bife de fígado igual a ele,
Ninguém ficava mais feliz com a família reunida,
Ninguém fazia a gente ficar mexendo doce no tacho por horas seguidas....

Ninguém, nunca, vai tirar essa saudade!

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