Tuesday, March 08, 2016

MINHA NEGRITUDE

Eu tenho a sua cor, sua tez, seu tom.
Eu tenho sua voz, seus gritos, seus sussurros.
Eu tenho seus pensamentos, sua inquietude, sua lucidez.
Eu tenho seus sonhos, sua angústias, quero estar nas suas vitórias.

Então eu brado, reverencio e desmistifico a sua cor, sua tez, o seu tom.

Esqueço de mim e me revelo em você.
Sinto o cheio ora da camélia, ora da fumaça, ora do café forte.
Meu semblante toma a sua seriedade, a sua dor, o seu pavor. Às vezes um sorriso, uma gargalhada oculta.

Trago em mim a sua força, física, resignada, arrependida.
Assumo os seus afazeres e tropeço em uma distante história que é revelada.

Rezo, peço e agradeço em seu nome, pelas nossas crenças, através dos nossos sons.

Alto, baixo ou meramente pronunciado lentamente nossos sons são únicos.
Por dentro ou por fora diferenciando-me nas diferenças eu me trato igual como gostaríamos que fosse.

E então eu me toco e sinto a verdade na pele, na cor e na inquietude de ter a carne rasgada como se o sangue derramado tivesse outra cor.
De pele,
De olhos,
De mentira.

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