Wednesday, July 20, 2016

APRENDE QUEM ESTÁ ATENTO - PURO AMOR

Ela tinha, talvez, todos os motivos para estar triste, mas não estava.
Talvez tivesse o direito de estar revoltada, mas não estava.

Com sua visível deficiência física afagava, ao seu jeito, a mão do filho que aparentava aproximadamente 50 anos e com sinais severos de deficiência mental.

Ele tinha, talvez, todos os motivos para ser triste, mas não é.
Talvez tivesse o direito de revoltar-se, mas não.

Em suas mãos grandes e calejadas recebia o carinho caloroso de quem, com certeza, mais lhe importava.

E daquele cenário transbordava um amor sem fim, descomprometido, desmedido.
Era só amor.
E me invadia.
E me fez feliz.
E me fez acreditar na pureza.
E nada mais me importava.
Nem os meus olhos marejados que me impediam de levantar-me e seguir o meu rumo.
O que valia naquele momento era a cena mais linda que se pode vivenciar.
Puro amor.
Mas só aprende quem está atento.


Wednesday, July 13, 2016

APRENDE QUEM ESTÁ ATENTO - A VERGONHA DE SER BOM

Eu a vi na Praça  de Alimentação de um Shopping.
Uma adolescente como tantas, almoçando com suas colegas, vestindo uniforme escolar com o blusão amarrado na cintura.

Lili ria e desfrutava da agradável companhia das amigas e, notoriamente, baixava o tom de voz para trocar confidëncias naturais da idade.

Assim que terminaram a refeição, todas levantaram-se ao mesmo tempo como se tivessem algo muito importante a fazer logo após.

Foi nesse momento que percebi que todas eram muito parecidas, física e comportamentalmente. Não fosse por um gesto.

Enquanto as meninas levavam seus pratos ao balcão, onde mais tarde seriam retirados, uma senhora aproximou-se, andando com certa dificuldade e tropeçou, deixando cair seu prato.

O barulho chamou a atenção de grande parte das pessoas próximas, então Lili, sem pestanejar, abaixou-se para aquela senhora que naquele momento já estava muito constrangida.

E nesse instante as amigas de Lili começaram a rir da situação e  daquela senhora que naquele momento já estava visivelmente constrangida, envergonhada e sem saber o que fazer.

Então de repente, não mais que de repente algo tirou o meu fölego...
Lili arrependeu-se do seu começado ato, levantou-se e deixou ali, sozinha, aquela mulher a quem havia se prestado a ajudar, deixando-se contaminar pela decisão dos outros.

Saiu rindo, acompanhando as amigas e sentindo-se parte integrante daquele meio.

Naquele momento, em algum lugar, ( eu sei) um esforço ruiu, uma dedicação morreu, um sonho de ajudar a fazer um mundo melhor se apagou.

Naquele momento desintegrou-se uma parte de alguém que ( eu sei) aprendeu a ser diferente, a respeitar e lutar por um mundo mais humano.

Então o orgulho de ser bom, vestiu-se de vergonha.
A emoção coletiva se desnudou bem ali, fazendo com que o que seria uma beleza exposta, se tornasse orgulho inverso de alguns poucos envergonhados por ter a possibilidade de fazer o bem.

E ficou, no silëncio daquele momento, a imagem da faxineira levantando aquela senhora que aos prantos tentava desculpar-se por ter vivido todos esses anos dignamente e, provavelmente, só queria conviver alguns momentos naquela comunidade que notoriamente insistia em expulsá-la.

Essa vergonha é prima-irmã do ultraje e da desonra.
Essa vergonha é um insulto, como se amor fosse sinönimo de fraqueza.

A ESSÊNCIA DA ALMA

Ela disse: -É tão mais fácil ser mau do que ser bom. A gente sofre menos. Parei e refleti, mesmo já querendo dar a minha opinião formad...